Um moleque, no meio de uma conversa me disse que seu pai era funcionário de um cachorro. Parece ridículo, mas é verdade. Eu conferi depois. Uma fidalga rica e infeliz deixara toda sua riqueza póstuma a quem tinha mais afeto, um cachorro.
O cachorro morreu e deixou sua herança milionária a um filho, de quem o pai do rapaz era uma espécie de secretário e segurança. Um dia o cachorro mandou que chamassem o menino, ele queria avaliar a estrutura física do rapaz. Ele gostava bastante de seu porte e da estrutura dentária. Havia decidido pagar pra que que ele fosse educado nas melhores escolas de sergurança particular pra ser seu funcionário, embora o menino quisesse fazer faculdade, enquanto o pai se mostrava pomposo ao lado do filho.
Quando recebeu a notícia pegou um ônibus pra casa, onde ele se sentou ao meu lado e desabafou essa história de modo tão resumido quanto descrevi.
Convenha que é incomum pessoas trabalharem pra cães até mesmo hoje em dia. Achei patética a situação do infeliz. Compreendi após alguns segundos de reflexão o que afligia o moleque e perguntei acerca do salário. Era muito mais que alguns salários pagos a seguranças particulares de pessoas humanas ricas. Compensava muito e invejei o rapaz que há pouco me dava pena.
Ele havia decidido e estava indo pra casa arrumar as malas. Dei meus parabéns!
domingo, 16 de maio de 2010
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