A carne que comi virou sangue e bosta.
A carne que guardei no freezer não virou nada,
mas se tiver sorte será um bom assado que se converterá em sangue e bosta.
O suco que tomei é parte mijo e parte sangue,
e parte desse sangue que tenho há de ser um passo,
e outra parte uma tosse.
Essa parte será uma metade.
Outra metade serei diferente disso,
como eu mesmo.
(Osmar Machado)
terça-feira, 15 de setembro de 2009
domingo, 6 de setembro de 2009
Ontem, quando eu era velho, vi uma cigana velha dançando na rua. Ela me deu uma flor murcha e sorriu. Senti-me bem com o sorriso. Bonitos dentes. A flor, por sua vez, não era das mais bonitas.
Quando olhei novamente não foi mais a imagem de uma flor que vi. Eram dentes podres, mas seu cheiro era tão bom...
Tão bom que sorri de volta!
(Osmar Machado)
Quando olhei novamente não foi mais a imagem de uma flor que vi. Eram dentes podres, mas seu cheiro era tão bom...
Tão bom que sorri de volta!
(Osmar Machado)
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Copo Azul

O copo azul é uma fraude. Pobre do líquido que nele habita por minutos, antes de virar mijo. Tenho dó!
O infame copo faz com que a luz que o atravessa seja parcialmente absorvida, absorvendo parte de sua identidade e transmitindo-a ao seu conteúdo.
O infame copo faz com que a luz que o atravessa seja parcialmente absorvida, absorvendo parte de sua identidade e transmitindo-a ao seu conteúdo.
Ainda que o líquido seja azul, os pigmentos azuis presentes naquele recipiente fazem que o azul se torne outro, não permite que água seja água em sua plenitude incolor e faz com que o suco de laranja pareça suco de couve!
Achei, a princípio, que fosse para que o líquido ficasse mais colorido e assim mais interessante. Mas não é! Com a cor é possivel variar a visão do objeto, enquanto o mijo continua amarelo e sem perspectiva de mudança, salvo os casos de cistite.
(Osmar Machado)
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