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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Pássaro amarelo

Hay una lluvia a caer.
Hay un nuevo olor y un bueno viento.
Mientras el canta
Esto invade.

Hay nuevas ventanas en mí,
Hay una buena vista y una nueva musica a oír.
Te miro y te canto
Y otro me quedo.

Cantó mirandome,
Voló mirandome,
Y lo creí!

Se hizo, entonces, el haber.
Se hizo la segunda sonrisa,
Y con esto lo que hay ahora en mí!

(Osmar Machado)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Eu confio nos fatores. Isso porque eles não precisam respeitar ordens!

Disseram-me: "Organiza que fica mais fácil!"
Pois perguntei o que haveria de se organizar e então disseram que tudo!
Tudo...
Tudo parece muito mas é tão pouco.
Tão insignificante que nem se deram ao trabalho de especificar.

Começei organizando minhas prioridades. O sentido foi feito, a calma desfeita e perdeu-se o sentido.

Organizei meu cabelo.
Cortei, penteei e me misturei tanto aos outros que poucos me viam aqui.

Depois arrumei meu quarto, que ficou mais claro, mas depois disso alguém veio e matou minhas aranhas pra tirar a teia.

Sublimei arquivos alheios e tentei organizar meus próprios pensamentos e tudo o que vi foram palavras, números e desordem.

De tanto ódio disso tudo consegui boas cólicas.
Tentei organizar minhas cólicas com buscopan e elas zombaram de mim:
me deram muitas fezes.

Nada ficou mais fácil Suely.
Deixa assim que eu desorganizo.
(Osmar Machado)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A noite à noite.


À noite entram e saem.

E despíduos despem e cospem,
beijam e mordem,
Apertam, estapeiam e dormem.

Ela não.

(Osmar Machado)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Sombrinha na escola!


Choveu ontem.
E que chuva!
Chovia tanto,
mas tanto que...

Ufa!
Não caiu raio.
Não aqui!
No colégio caiu.

Mas só dois.

Numa menina!!!

(Só um.)
(Osmar Machado)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Parteciparme

A carne que comi virou sangue e bosta.
A carne que guardei no freezer não virou nada,
mas se tiver sorte será um bom assado que se converterá em sangue e bosta.

O suco que tomei é parte mijo e parte sangue,
e parte desse sangue que tenho há de ser um passo,
e outra parte uma tosse.

Essa parte será uma metade.
Outra metade serei diferente disso,
como eu mesmo.

(Osmar Machado)

domingo, 6 de setembro de 2009

Ontem, quando eu era velho, vi uma cigana velha dançando na rua. Ela me deu uma flor murcha e sorriu. Senti-me bem com o sorriso. Bonitos dentes. A flor, por sua vez, não era das mais bonitas.

Quando olhei novamente não foi mais a imagem de uma flor que vi. Eram dentes podres, mas seu cheiro era tão bom...
Tão bom que sorri de volta!


(Osmar Machado)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Copo Azul


O copo azul é uma fraude. Pobre do líquido que nele habita por minutos, antes de virar mijo. Tenho dó!

O infame copo faz com que a luz que o atravessa seja parcialmente absorvida, absorvendo parte de sua identidade e transmitindo-a ao seu conteúdo.

Ainda que o líquido seja azul, os pigmentos azuis presentes naquele recipiente fazem que o azul se torne outro, não permite que água seja água em sua plenitude incolor e faz com que o suco de laranja pareça suco de couve!

Achei, a princípio, que fosse para que o líquido ficasse mais colorido e assim mais interessante. Mas não é! Com a cor é possivel variar a visão do objeto, enquanto o mijo continua amarelo e sem perspectiva de mudança, salvo os casos de cistite.
(Osmar Machado)

domingo, 30 de agosto de 2009

A Flor




E há quem diga que o que mais importa nas flores são as cores e o cheiro. Pois não é! A cor e o cheiro não passam de estímulos aos receptores químicos e físicos de insetos polinizadores. Têm esta função, e só vão além quando lhes conferimos outro papel. Não sou inseto e deus me livre de ser um polinizador. O que mais importa numa flor é seu som!

É muito fácil contemplar as cores vivas de uma orquídea ou lírio em detrimento da música que cantam, o poema que recitam ou o palavrão que esbravejam. Insetos com o sistema nervoso incomparavelmente mais simples que o humano têm essa capacidade e o fazem de modo hábil.

O que não fazem os insetos é ouví-las, pois para ouví-las é necessário perguntar, e insetos não perguntam. Apenas interpretam informações que lhes são oferecidas de modo muito limitado e objetivo. É necessária muita sensibilidade e percepção para ouvir o que diz uma flor, e aí não importa mais cor ou aroma.

O leitor pode relutantemente argumentar que a cor e o cheiro são palavras e notas ditas de forma clara e pensar que está discordando do que digo. Pois é exatamente o que digo. A cor e o cheiro de uma flor são palavras que expressam idéias concretas e sentimentos complexos, mas quando ouvimos o que é dito a palavra se perde e a idéia fica. Sua comunicação auditiva não se resume a palavras soltas. Vai muito além. Vai até onde se permite que vá. E não pense que falariam mais que se lhes permite, pois elas se calam antes que percebamos. Flores são seres educados que vivem em mentes receptivas.
(Osmar Machado)