Um moleque, no meio de uma conversa me disse que seu pai era funcionário de um cachorro. Parece ridículo, mas é verdade. Eu conferi depois. Uma fidalga rica e infeliz deixara toda sua riqueza póstuma a quem tinha mais afeto, um cachorro.
O cachorro morreu e deixou sua herança milionária a um filho, de quem o pai do rapaz era uma espécie de secretário e segurança. Um dia o cachorro mandou que chamassem o menino, ele queria avaliar a estrutura física do rapaz. Ele gostava bastante de seu porte e da estrutura dentária. Havia decidido pagar pra que que ele fosse educado nas melhores escolas de sergurança particular pra ser seu funcionário, embora o menino quisesse fazer faculdade, enquanto o pai se mostrava pomposo ao lado do filho.
Quando recebeu a notícia pegou um ônibus pra casa, onde ele se sentou ao meu lado e desabafou essa história de modo tão resumido quanto descrevi.
Convenha que é incomum pessoas trabalharem pra cães até mesmo hoje em dia. Achei patética a situação do infeliz. Compreendi após alguns segundos de reflexão o que afligia o moleque e perguntei acerca do salário. Era muito mais que alguns salários pagos a seguranças particulares de pessoas humanas ricas. Compensava muito e invejei o rapaz que há pouco me dava pena.
Ele havia decidido e estava indo pra casa arrumar as malas. Dei meus parabéns!
domingo, 16 de maio de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Ela
Ela chegou la em casa trazida por meu irmão que chegava de viagem. Nessa Época Ela era tão pequena que coube no bolso de uma mochila. Quando chegou estava pálida e com o olhar assustado, então deixei que ela ficasse no escuro do meu quarto até descansar um pouco. Com o tempo decidi que ela ficaria ali mesmo, me fazendo companhia ao lado dos livros da estante.
Ao pesquisar na internet descobri que o pássaro se tratava de um tipo raro de coruja branca do sul da Indonésia e alguns de seus hábitos seriam noturnos, o que mudou um pouco minha rotina. Aos poucos me acostumei ao hábito de estudar de madrugada em companhia de ELa, que era atenta às explicações.
Não demorou para que ela se ambientasse ao novo lar, mas não era muito sociável, exceto com minha priminha que às vezes nos visitava, com quem Ela se mostrava bastante íntima. Normalmente se limitava a observar com atenção os movimentos que se pronunciavam.
Numa das visitas dessa prima eu percebi que Ela não era uma coruja normal. Minha prima estava aprendendo a falar, e dizia certas palavras repetidamente, então parou de frente para a coruja e repetiu várias vezes a palavra "oi", até que ouvi uma voz diferente da dela, num tom bem mais arrastado, dizer a palavra. Olhei pra ver quem era e só havia as duas, que permaneceram caladas, Então Ela girou a cabeça 180° para me olhar nos olhos e disse com o mesmo olhar assustado de quando chegou: "Oi! Seu pai tem boi?"
(Osmar Machado)
Ao pesquisar na internet descobri que o pássaro se tratava de um tipo raro de coruja branca do sul da Indonésia e alguns de seus hábitos seriam noturnos, o que mudou um pouco minha rotina. Aos poucos me acostumei ao hábito de estudar de madrugada em companhia de ELa, que era atenta às explicações.
Não demorou para que ela se ambientasse ao novo lar, mas não era muito sociável, exceto com minha priminha que às vezes nos visitava, com quem Ela se mostrava bastante íntima. Normalmente se limitava a observar com atenção os movimentos que se pronunciavam.
Numa das visitas dessa prima eu percebi que Ela não era uma coruja normal. Minha prima estava aprendendo a falar, e dizia certas palavras repetidamente, então parou de frente para a coruja e repetiu várias vezes a palavra "oi", até que ouvi uma voz diferente da dela, num tom bem mais arrastado, dizer a palavra. Olhei pra ver quem era e só havia as duas, que permaneceram caladas, Então Ela girou a cabeça 180° para me olhar nos olhos e disse com o mesmo olhar assustado de quando chegou: "Oi! Seu pai tem boi?"
(Osmar Machado)
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